Bonito, Mato Grosso do Sul - 23 de Setembro de 2020
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Farmacêuticas anunciam recall de lotes de medicamento para úlcera no estômago

Laboratórios brasileiros Medley e Aché iniciaram o recolhimento voluntário de alguns lotes de remédios com base em cloridrato de ranitidina por risco de contaminação de N-nitrosodimetilamina, substância que pode causar câncer.

Com informações de G1
Em 22 de Janeiro de 2020 às 08h22
Divulgação. (Medley)

Ao menos duas farmacêuticas iniciaram o recolhimento de alguns lotes de medicamentos usados no tratamento de úlcera gástrica por conta de uma possível contaminação com substância de potencial cancerígeno.

Nesta segunda-feira (20), a Medley anunciou o recall de lotes de remédios a base de cloridrato de ranitidina, que podem estar contaminados com N-nitrosodimetilamina (NDMA). Em dezembro do ano passado, a Aché suspendeu a comercialização e a fabricação de medicamentos com este composto.

A NDMA é uma molécula do grupo das nitrosaminas. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), elas são impurezas que, a longo prazo, podem aumentar o risco de câncer. A agência alertou em um comunicado que esta impureza pode ser formada em laboratório durante a sintetização de alguns produtos a base de nitritos.

A Anvisa pediu que empresas adotem medidas de precaução para a produção de medicamentos livres desta contaminação. Segundo a Anvisa, a suspensão de medicamentos contaminados com NDMA é uma medida preventiva, porque estudos em animais classificaram a molécula como um potencial agente cancerígeno.

De acordo com a agência, os pacientes que já começaram o tratamento com o uso da substância podem continuar a medicação. Os riscos, segundo a Anvisa, são mínimos e a medida foi tomada de forma preventiva.

"Muito importante que ninguém interrompa o tratamento. O risco maior é sempre o risco associado à doença que está sendo tratada. Então, ninguém deve interromper o tratamento sem antes consultar o seu médico", alertou Ronaldo Gomes, gerente geral de inspeção e fiscalização da Anvisa.
 
Em nota publicada na terça-feira (14), a Anvisa recomendou “fortemente” que as empresas reavaliem os métodos de processamento para evitar a contaminação. Em setembro do ano passado, a agência suspendeu a importação de ranitidina fabricada por um laboratório indiano por conta da detecção de NDMA na composição.

O que vai ser recolhido?

Foi anunciado o recolhimento de medicamentos de dois laboratórios brasileiros. A Medley, unidade de negócios de genéricos no Brasil do laboratório francês Sanofi, faz o recolhimento voluntário de Ranitidina 150 mg e 300 mg.

A empresa recomendou que os pacientes entrem em contato com o SAC da empresa pelo telefone 0800 729 8000 de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h.

Já o Aché Laboratórios Farmacêuticos disse em nota que o recolhimento dos medicamentos Label comprimidos, Label xarope e os genéricos de cloridrato de ranitidina foi protocolado na Anvisa em dezembro do ano passado.

A empresa disse que segue as solicitações da agência e que acompanha as discussões sobre os riscos da NDMA. A farmacêutica reforçou que os pacientes com estes medicamentos devem entrar em contato com a central de atendimento no telefone 0800-701-6900 ou pelo e-mail cac@ache.com.br.

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